Eu estava há uma semana tentando ir dormir cedo porque eu me conheço e sei como são todos os anos no meu primeiro dia de aula: eu me arrastando por todos os lados parecendo um zumbi de tanto sono. Mas por mais que eu tente eu nunca consigo ir dormir cedo e lá vou eu para mais um primeiro dia de aula parecendo que sai de The Walking Dead.
Sinceramente, eu queria morrer quando o despertador do meu celular começou a tocar mas eu também me esqueci disso e voltei a dormir cinco segundos depois e só me levantei quando minha mãe apareceu para acabar com a minha felicidade.
-Nane, querida, vamos acordar. Não vai querer chegar atrasada no primeiro dia de aula, né? -Ela disse enquanto acendia a porra da luz na minha cara. Me escondi debaixo da coberta (foda-se se está um calor infernal e que eu moro no Brasil, eu durmo com cobertas para que os fantasmas que tem aqui no prédio não me peguem) até que ela veio e puxou toda a coberta de cima de mim. Resolvi abrir os olhos mas meus olhos ainda estavam se acostumando com a claridade. -Vamos, Liliane, levanta dessa cama.-Ela falou e eu consegui ouvir seus passos e em seguida o meu uniforme acertou a minha cara. -Estamos te esperando para tomar o café.
Fiquei ali deitada mas um tempo desejando não ter que ir para a aula mas resolvi me levantar e me arrumar logo antes que a minha mãe voltasse e se isso acontecer ela mesma me arruma e me carrega até a minha sala de aula, se for necessário e isso não seria nada legal, seria tipo, vergonhoso para uma adolescente que está indo para o seu primeiro dia do ensino médio que era aonde os fodões ficavam quando eu estava na quinta série mas com o tempo eles deixaram de ser tão legais e agora são só mais gente no mundo que se eu pudesse explodir, eu explodiria. Amo pessoas (espero que você tenha entendido a ironia).
Escovei os dentes, com muita dificuldade dei um jeito na minha bela juba e até pensei em fazer alguma coisa na cara para deixar ela menos zumbi mas não sou boa com essas coisas e acho que não ia fazer muita diferença. Achei o meu tênis que estava desaparecido no meio da minha bagunça desde que eu queria usar ele no ano novo e minha mãe não deixou e me dirigi até a mesa para tomar o café da manhã mas nem comi nada, deitei na mesa e dormi enquanto eu pude. Quando acordei (de novo!) minha mãe conversava
sobre a escola com a Anne, também conhecida como a minha irmã mais velha.
-Tomara que esse ano eu não caia na sala dele de novo. -Minha irmã disse enquanto meu pai só observava.
-Ele é um bom rapaz, Anne. Você poderia pelo menos ser amiga dele. -Minha mãe sempre diz a mesma coisa e a minha irmã sempre responde a mesma coisa.
-Não, porque ele vai achar que eu estou dando mole para ele.
É o seguinte: minha irmã estuda com um menino...Bruno...Breno...sei lá, desde.. tipo...sempre e ele gosta dela desde muito tempo também. Ela não quer nada com ele, ele não desiste e até grava uns cd's com várias músicas para ela e ela dá todos para mim. Claro que eu aceito, tenho que admitir que o cara tem um bom gosto musical e muito eclético também. Enfim, todo ano ela deseja não cair na sala dele e todo ano ela cai na sala dele. Fim.
Quando eles terminaram o café da manhã, eu e minha irmã pegamos as nossas coisas para começar mais um ano no inferno (apesar de que no Brasil o ano só começa depois do carnaval, mas ok) e para descobrirmos se será mais um ano dela aguentando a paixonite dela e se será mais um ano com o Mika me aguentando, mesmo que ele não seja da minha turma (o que não pode acontecer) ele vai ter que me aguentar porque ele escolheu isso anos atrás quando ocupou o cargo de meu melhor amigo.
Coloquei os meus fones de ouvido e liguei a música no máximo e o dia não poderia ter começado melhor quando logo que sai pela porta do apartamento vi o Rafael junto com o pai e o irmão dele esperando o elevador. Ele é meu vizinho já faz muitos anos e euzinha sou apaixonada por ele desde que eu consigo me lembrar. Eu também acho que ele nem sabe da minha existência mesmo que a gente more um do lado do outro desde crianças e que eu e o irmão dele (também conhecido como Guilherme, mas isso não é importante) seja da minha sala na escola desde que começamos a estudar.
"You make me wanna die; I'll never be good enough; You make me wanna die; And everything you love; Will burn up in the light;And everytime I look inside your eyes;You make me wanna die" tocava enquanto eu olhava disfarçadamente para ele. Tipo, ele é perfeito. O Mika diz que existe tantos loiros iguais a ele por ai mas não existe não. "Eyes, your eyes; I can see in your eyes; Your eyes, everything in your eyes; Your eyes". E de repente tiraram os meus fones de ouvido e eu voltei para a realidade e
percebi que eu estava encarando demais ele e que todos (inclusive ele) tinham percebido.
-Liliane, acorda. -Minha irmã disse.
-Estava pensando nos namoradinhos. -O pai do Rafael disse rindo e acho que aquilo me deixou um pouco (muito!) vermelha. Na verdade não era nos namoradinhos, até parece que se não consigo um vou conseguir vários e mesmo se eu conseguisse conquistar alguém eu só quero um e nem preciso dizer que é, né?
-É...não, eu só estava distraída pensan...pensando na escola. -Eu balançando a cabeça.
-Então, vamos. -Meu pai disse fazendo sinal para que eu entrasse no elevador.
Eles continuaram conversando no elevador enquanto eu só escutava as minhas músicas e encarava o chão ainda morrendo de vergonha. Só voltei a tirar os fones por alguns segundos na garagem para me despedir dos nossos vizinhos (não sei porque, se todos vamos nos encontrar de novo na escola e perceberam como u fui legal na tentativa de parecer um pouco civilizada perto dele?).
Nossa, quanto tempo que eu não saia da minha caverna e não olhava esse céu cinza de São Paulo e trânsito, eu não senti a sua falta.
Quando meu pai parou o carro na frente
do inferno (você pode chamar de Colégio Santa Rita de Cássia se quiser) eu suspirei e desci do carro. Fui andando feito uma lesma até o lado de dentro e para a minha surpresa ainda estavam todo mundo se abraçando e essa putaria toda pelos corredores. Eu jurava que ia chegar atrasada. Procurei o Mika mas eu não consegui achar ele em lugar nenhum. Todos os anos já é como uma tradição nõs dois olharmos a lista de nomes para vermos juntos se estamos na mesma turma. Ah, só uma espiadinha rápida não vai matar ninguém vai? Não, não vai. Fui chegando perto da lista presa perto da porta da primeira sala e antes que eu conseguisse ver qualquer coisa que tinha lá eu fui puxada pela cintura e fui parar bem longe da lista enquanto eu dava vários gritinhos por causa do susto.
-Então você ia olhar sem mim? -Ele disse ainda me segurando. Tinha que ser esse japa filho de uma mãe.
-Que susto, filho da puta. -Me soltei e me virei com cara de brava e com uma mão no coração e o encarei. Ele estava morrendo de rir da minha cara. Sorte dele que eu não tenho uma arma.
Olhamos juntos aquela bendita lista que eu ia espiar antes e os nossos nomes não estão ali. Quase morri do coração a toa. Olhamos as listas de quase todo o corredor e achamos os nossos nomes em uma das últimas salas. Até o nome da Anne e do namoradinho dela (que agora sei que se chama Breno) nós tinhamos achado menos os nossos. Só para variar nossa turma continua quase a mesma coisa, só mudou que as vagas dos reprovados foram ocupadas por alunos novos do colégio. Welcome to hell.
Já entramos na sala antes mesmo de bater o sinal então todos os lugares estavam vazios e pudemos escolher qual quissesemos. Claro que foi os últimos dois lugares da última fila bem no fundo bem longe dos professores que me odeiam.
A primeira aula do ano tinha que ser com a múmia de matemática mesmo, puta que pariu. Como todos os anos ela começou ditando as porcarias de regras que temos que cumprir durante as aulas dela e que temos que ter anotadas no caderno, óbvio que ninguém da a mínima para as regras (fuck the police) mas todo mundo copia porque essa velha é uma chata. Essa velha é tão chata que as regrinhas dela ocupam três folha inteiras. Quando a aula dela acabou todo mundo já estava com as mãos doendo e demos graças a Deus pelas duas próximas aulas terem sido de sociologia e que o professor novo só falou dele e quis que nos apresentássemos e que contassemos um pouco sobre como foram as nossas férias (isso quer dizer que eu já estava com a mão doendo de tanto escrever e que eu dei graças a Deus quando a aula de matemática acabou e quando as outras aulas duas aulas fossem de sociologia onde a gente não tinha que fazer praticamente nada). De qualquer jeito eu odeio quando os professores inventam isso de termos que nos apresentar porque eu odeio ter que me apresentar, eu tipo que me esqueço de quem sou e não sei o que falar.
-E você, mocinha? -O professor perguntou para mim logo depois que o Mika terminou de se apresentar.
-Ah...-Eu olhei para a cara do Mika que só me olhava de volta com um risinho no rosto. -É...-Olhei para as minhas mãos e depois olhei tudo em volta.
-Como você se chama? -O professor perguntou depois que todos já me olhavam provavelmente me rindo internamente.
-Nane...Liliane, mas geralmente me chamam de Nane. -Disse meio baixo.
-Então, Nane, quantos anos você tem? -Ele continuou.
-15.
-Sério? -Ele perguntou olhando como se eu estivesse zoando ele. Eu sei que eu tenho cara de criança mas não sei o que ele imagina que eu estaria fazendo aqui se não tivesse mais ou menos essa idade mesmo.
-É, né? -Fiz uma cara de como se a pergunta idiota dele tivesse sido idiota.
-Brincadeira, Nane. -Ele riu. -O que você fez nas férias?
-Ihhh...-O Mika riu parando de me encarar e se virando para frente.
-Ihh por que? -Dei um tapa na costa dele e ouvi ele reclamar de dor.
-Que foi? A única coisa que você fez nas férias foi ficar enfiada no seu quarto dormindo. -Ele se defendeu.
-É verdade? -O professor perguntou e concordei.
-Então eu não fui o único. -O professor disse e continuou dando a aula dele enquanto o Mika era usado como meu saco de pancadas.
Eu dormi durante todo o recreio e as outras três aulas e quando acordei o Mika tinha copiado o pouco conteúdo que tinha sido passado durante as aulas para mim. Eu amo o meu saco de pancadas.
(...)
Minha vida é tão emocionante que eu cheguei da escola, almocei e dormi quase que a tarde toda (não só pelo fato de eu ter ido dormir super cedo ontem, mas porque mesmo quando eu durmo a noite toda, na maioria das vezes, eu durmo a tarde toda e também porque é a melhor coisa que eu faço da minha vida) e agora que acordei eu não tenho nada para fazer e estou deitada no chão do quarto escutando música no máximo e ouvindo todas as reclamações da minha mãe que vem aqui de cinco em cinco minutos reclamar
que o volume está muito alto.
"Meu filho vai ter nome de Santo, quero o nome mais bonito. É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque se você parar para pensar na verdade não há. Me diz porque o céu é azul, explica a grande furia do mundo..."
-Liliane, eu já pedi para você abaixar essa música. Depois o síndico vem reclamar de novo do som alto mais uma vez! -Minha mãe apareceu no meu quarto mais uma vez.
-Os vizinhos deviam agradecer por eu colocar músicas boas para tocar. -Disse baixo olhando para o teto.
-O que? -Ela perguntou e eu só rolei os olhos então ela mesma cuidou de ir até o meu som onde para variar tocava um dos cd's que o tal Breno deu para a minha irmã. Suspirei fundo quando ela fez isso mas não desviei meu olhar do teto, preguiça demais para fazer isso. -Liliane. -Ela chamou e eu só deixei minha cabeça tombar para o lado para que eu conseguisse olhar para ela. -Eu vou sair e você vai ficar com a sua irmã. Se comporte e nada de colocar esse som alto mais uma vez. -Ela apontou o indicador em minha direção. -Entendido?! -Ela me encarou e eu concordei com a cabeça e ela se retirou do meu quarto e pouco tempo depois escutei a porta do apartamento batendo e soube que ela tinha saído. Sim, eu ia colocar a música no máximo mais uma vez mas com certeza aquele gordo viado daquele sindico iria vir reclamar do som e eu teria que ir em mais uma reunião chata do condomínio para ouvir de novo como "nós temos que nos comportar quando moramos em um prédio" e sobre "o respeito aos vizinhos". Não sei porque, o filho da vizinha também escuta aquelas músicas ruins dele no máximo e ninguém diz nada. Mas de qualquer maneira, o som está muito longe e eu estou com preguiça de ter que levantar daqui.
Um tempo depois, quando eu já estava quase voltando a dormir ali no chão mesmo a campainha começou a tocar e atrapalhou os meus planos e eu até teria deixada para a minha irmã atender a campainha porque já que ela é a mais velha e está cuidando de mim isso seria responsabilidade dela mas depois que tocaram várias vezes a campainha e ninguém atendeu eu levantei nervosa e sai batendo os pés.
Passei pelo quarto da minha irmã que estava jogada na cama com o computador no colo e sorrindo que nem uma retardada mental e metralhei um pouco ela com os olhos. Vaca.
-Já parou para pensar que poderia não ter ninguém em casa? -Eu disse quase gritando quando cheguei a porta mesmo sem saber quem era a bendita alma que estava do outro lado.
-Mas o porteiro me deixou entrar e disse que vocês estavam aqui. -O tal do Breno estava na porta com o meu futuro cd.
-Hm, aquele porteiro idiota. -Encarei feio aquele menino estranho que estava parado na minha porta. Na verdade eu tentei encarar porque ele é bem mais alto do que eu (tá, talvez eu seja muito baixa e ele muito alto). Além de tudo ele é muito branco, tipo um vampiro brasileiro, o cabelo dele é castanho escuro e comprido meio que desfiado e com uma franja jogada de lado que estava chegando a esconder as sobrancelhas dele e ele tem uma barba (que são alguns pêlos faciais) muito comprida e estranha. Se não
me contassem que o Jesus parado na minha porta tem só 17 anos eu não acreditava, mas os olhos verdes dele deixam as coisas melhorzinhas. Tadinho, acho que nunca falaram para ele de cabeleireiro e de lâmina de barbear. Pobre criança.
Não que eu já não tenha visto ele antes, claro que já, ele tem essa paixão pela minha irmã há mais de um ano, só que eu nunca tinha visto ele de perto e também não tinha parado para prestar atenção na aparência do garoto.
-É...-Ele balançou a cabeça me olhando com uma cara estranha. -...a sua irmã está?
-ANNE, AQUELE SEU STALKER ESTÁ AQUI COM MAIS UM DAQUELES CDS! -Ele me olhou franzindo as sobrancelhas. -Nada contra, você tem um bom gosto musical. -Eu disse dando um sorrisinho para ele e sai saltitando em direção a cozinha quando minha irmã estava chegando para atender a porta.
Claro que tem caras que gostam dela. Ela é bonita. Se eu fosse bonita igual a ela sem dúvidas o Rafael gostaria pelo menos um pouquinho de mim. Tipo, ela é igualzinha a minha mãe na idade dela e com certeza minha mãe é um retrato dela no futuro, então chegamos a conclusão de que a maldita vai continuar bonita. Mas dizem que quem é feio na adolescencia fica bonito depois então ainda me resta uma esperança mas bem que eu queria esses centímetros que ela tem mais do que eu, o cabelo super liso e castanho. Bom, até gosto do meu cabelinho indeciso meio liso e meio enrolado mas as vezes ele dá muito trabalho. Os meus olhos castanhos claros são legaizinhos, gosto deles por serem iguais aos olhos do meu pai, e o resto da para o gasto. Tá, foda-se.
Fiquei na cozinha tomando sabe-se Deus lá quantos copos de água enquanto eu assistia os dois conversarem. Quer dizer, ele conversar com ela e ela dar respostas curtas querendo se livrar logo do coitado. De vez em quando a Anne me olhava como se também estivesse me metralhando com os olhos mas ela não sabe fazer isso tão bem quanto eu que ainda estava lá bebendo água. Não sei quanto tempo foi (sei que bebi muito mais do que a quantidade de água que uma pessoa precisa por dia), mas ele entregou o cd para ela e conseguiu roubar um beijo no rosto e foi embora. Ela jogou o cd em cima da mesa e me olhou de um jeito que eu sei o que quer dizer: o meu futuro cd agora é oficialmente meu.
Fui correndo em direção a mesa pegar meu cd e sai correndo em direção do meu quarto querendo saber quais são as novas músicas. Tirei o outro cd que antes estava tocando com todo o cuidado e coloquei o novo.
"I could stay awake just to hear you breathing. Watch you smile while you are sleeping While you´re far away and dreaming. I could spend my life in this sweet surrender.
I could stay lost in this moment forever. Well, every moment spent with you. Is a moment I treasure..." Me joguei agora na cama e fiquei lá escutando todas as músicas (no máximo, beijos para o síndico) e eu já disse que esse menino tem um bom gosto musical? Bom, porque ele tem.
Escutei não sei quantas vezes cada música mas quando a minha mãe chegou minha felicidade acabou e eu tive que ir para a mesa jantar. Meus pais tem isso de que a gente tem que ter pelo menos um momento em família por dia para eles fazerem aquelas perguntas do tipo "como foi o dia de vocês?".
-Como foi o dia de vocês? -Meu pai perguntou olhando para mim e minha irmã antes de levar uma garfada para a boca. Viu?!
-Legal! -Dissemos ao mesmo tempo. Ele terminou de mastigar olhando para nós e balançando a cabeça.
-E o que vocês fizeram? -Minha mãe continuou.
-Nada. -Respondi.
-O de sempre. -A Anne disse.
-Como nada? Hoje não foi o primeiro dia de aula de vocês? Contem como foi. -Vocês já perceberam que esse momento em família não funciona nada bem além das vezes em que alguém se comporta bem porque tem interesse em pedir alguma coisa.
-Encontrei com as garotas e a gente colocou a conversa em dia...-Minha irmã começou.
-Quer dizer a fofoca em dia. -Eu murmurei antes de dar a primeira garfada na comida. Ela só me olhou como se me mandasse calar a boca.
-Tive aula de português, física e de história. Voltei para casa e fiquei no computador o dia inteiro.
-E você? -Meu pai me olhou. Só porque ele me olhou com aqueles olhinhos castanhos claros (iguais aos meus) que fica bonitinho com os fiozinhos brancos dele eu resolvi ser legalzinha e contar.
-Eu estou na sala do Mika, mais uma vez. -Fiz uma pausa para os comentários que eu sabia que eles iriam fazer.
-E quando você não está na sala dele? -Minha mãe riu.
-Ah, o vizinho...Guilherme...também está na minha turma. Eu tive aula de matemática com a múmia...-Eles me repreenderam com olhares.-...e como em todos os anos as primeiras aulas dela foram ditando aquela Bíblia de regras e eu jurava que minha mão iria cair de tanto escrever. Agora tem um novo professor de sociologia e a aula dele foi só uma apresentação. -Terminei e voltei a comer.
-E nas outras aulas, filha? -Merda. Porque ele tem que contar quantas aulas foram?
-Dormi.
-Certas coisas nunca mudam. -A Anne disse dando um gole no suco.
-Pois é, tipo sua cara de idiota. -Eu sei que eu disse que ela é bonita e o caralho a quatro mas ela não precisa saber disso.
-Não fala assim com a sua irmã. -Minha mãe logo repreendeu e eu apenas dei de ombros. Meu pai apenas suspirou fundo.
-E no resto do dia? -Ele voltou a perguntar.
-Dormi.-Eles me olharam. Cara, eles tem que para com isso.-E escutei música. Aliás, o novo cd de músicas que o namorado da Anne trouxe tem umas músicas muito boas.
-Namorado? -Meu pai encarou a Anne.
-Ele não é meu namorado. -Ela fez cara feia. -É só o Breno que insiste em ter alguma coisa comigo mas eu já disse que entre nós dois nunca vai ter nada.
-Porque não? -Perguntei.
-Fala sério, Liliane. -Ela me disse como se a resposta da minha pergunta fosse óbvia.
Só continuei comendo enquanto meus pais continuaram falando sobre o Breno e sobre como foi o dia deles e essas coisas. Também consegui fugir antes de me mandarem ir lavar a louça.
Ai está o primeiro capítulo oficial. Espero que tenham gostado e leitores fantasmas por favor deem sinal de vida e me digam se vocês iriam gostar ou não de um post no estilo de uma playlist com todas as músicas que aparecerem nos capítulos durante o mês. As do capítulo de hoje foram "You make me wanna die" do The Pretty Reckless, "Pais e Filhos" do Legião Urbana e "I don't miss a thing" do Aerosmith. Beijos. @iisabelaqueiroz
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