Meu celular começou a tocar atrapalhando o meu sono. Isso me irrita muito porque são meus últimos dias de férias e isso quer dizer que são meus últimos dias dormindo na hora que eu devia estar acordando e acordando na hora que eu devia estar indo dormir. Olhei no visor e eu já devia esperar que seria o nome do Mika que ia ver ali. Se ele não fosse o meu melhor amigo e o japonês que eu mais amo de toda a face da Terra ela estaria fodido.
-LILIANEEEEEEEEEEEEE!! -Com esse grito maravilhoso eu acordei de vez. -Acordou? -Só murmurei esperando que ele escutasse. -Saiu a lista com os nomes dos que passaram e dos reprovados. -Abri os olhos e me sentei. Bom, digamos que eu não fui um exemplo de aluna no último ano e todos os professores juraram que se eu fosse para o conselho eles não iriam me passar e olha só que coisa maravilhosa: eu fui para o conselho.
-Então? -Perguntei me preparando psicologicamente para ouvir a resposta.
-Eu passei. -Ele disse e eu podia até ver ele sorrindo.
-Isso não é novidade, né, Murilo? -Rolei os olhos como se ele fosse ver. -Eu passei?
-Você sabe que você foi para o conselho...
-Sei.
-...e que os professores juraram que não iriam te passar...
-EU SEI!! -Disse já ficando irritada e ele sabe disso.
-...e que você tem muita sorte.
-Isso quer dizer que...
-É. -Ele me interrompeu já sabendo a pergunta.
-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH...EU NÃO ACREDITO!! -Eu disse feliz dando gritos de mulherzinha no telefone aliviada enquanto começava a pular na cama. Claro que o japa reclamou da minha comemoraçãozinha mas que isso sirva de vingança.
-O que que está acontecendo, menina? -Minha mãe disse abrindo a porta do meu quarto e me olhando com as sobrancelhas franzidas e me pegando no flagra.
-Adivinha! -Eu disse descendo da cama e fui em direção a ela sorrindo e fazendo uma dancinha super idiota.
-O que?
-Quem passou de ano. -Disse cantarolando sem parar com a dancinha. -Isso, euzinha. -Respondi sem deixar tempo para ela fazer isso.
-Parabéns! -Ela sorriu. -Mas agora...-Ela disse depois de alguns segundos. -...para de gritar. -E apontou para o chão.
Por isso que é uma merda morar em prédio, você não pode nem dar os seus berros em paz porque vai incomodar os vizinhos. Na verdade é tudo "Nane, não faz isso porque os vizinhos blablabla..."; "Nane, não faz isso. Tem gente que mora no andar de baixo"; "Tem bebê no andar de cima então para com isso". É os vizinhos isso e os vizinhos aquilo. Se eu não tivesse um deus grego e minha paixão desde sempre morando ali do lado eu iria odiar morar aqui.
-Tá. -Rolei os olhos e me virei indo de volta para a minha cama enquanto minha mãe saia do quarto e fechava a porta atrás de mim.
Me deitei olhando para o teto e ai eu me lembrei do celular que eu ainda estava segurando perto da minha orelha e lembrei do Murilo que eu deixei ali falando sozinho.
-...pelo amor de Deus, eu acho que você acha que eu sou tipo que milionário para comprar créditos todos os dias para falar com você. Sério, tomara que você tenha morrido e por isso não me respondeu porque se não você está me devendo doze reais de créditos...-Ele já estava reclamando quando eu voltei a ouvir o que ele dizia.
-Eu não morri, para a sua alegria, aliás, o que você seria sem mim? Hein? Isso mesmo, você me ama demais para me ter fora da sua vida.
-Ou talvez você seja muito convencida. Agora eu vou desligar, falo com você quando eu chegar de viagem. Tchau.
-Tchau. -E assim que eu terminei de falar ele desligou o telefone.
Continuei ali deitada pensando quando eu iria levantar e pensando que estou com fome. Liguei o meu computador e fui até a cozinha procurar alguma coisa para poder me alimentar e só tinha frutas. Droga. Não quero coisas saudáveis mas me contentei com uma maçã mesmo.
Voltei para o meu quarto e a primeira coisa que eu fiz foi entrar no site só para ver o meu nome no meio dos aprovados. Na verdade estava "Liliane Medeiros Borges" e na frente "Conselho" mas eu passei de qualquer jeito. Também aproveitei para ver quem também passou do resto das pessoas que estudam comigo sabe-se Deus lá há quanto tempo e que eu não converso com nenhuma delas. Como esperado, quase todos passaram menos alguns reprovados que reprovaram de novo e um menino que conseguia me superar quando o assunto era atentar a vida dos professores. "Guilherme Bonin de Oliveira. Aprovado", aposto dez reais que meu futuro cunhado vai cair na minha turma esse ano de novo. "Murilo Dantas Mikami. Aprovado". Turma do terceiro ano "Rafael Bonin de Oliveira. Reprovado". Merda, isso explica a discussão que eu ouvi hoje de manhã, eu não estava sonhando de novo. Eu gostaria de ir lá dar um apoio para ele mas ele nem sabe da minha existencia e eu que não vou lá me apresentar. "Anne Medeiros Borges. Aprovada".
Tá, isso exigiu demais de mim e além do mais acordei cedo, isso significa três horas da tarde, então vou fazer o que eu faço de melhor. Isso mesmo: dormir.
Primeiro capítulo (na verdade um prólogo, mas tanto faz) de uma história escrita em sociedade por mim e pela Juliana e é só para vocês entenderem um pouco das coisas da história. É uma original, todos os personagens foram criados por nós duas.
Espero que gostem, e é isso ai. Beijos.
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