NANE POV
-Você beijou ele? -O Mika perguntou pela milésima vez depois que eu finalmente consegui falar com ele sobre os acontecimentos da minha vida.
-É.
-E agora? Vai fugir dele também? -Dei de ombros.
-Sei lá...primeiro é que eu não deveria ter beijado ele e...ah, sei lá.
-Você tem que parar de fugir e resolver seus problemas logo, Nane, se não você vai acabar uma louca depressiva suicida ou alguma coisa assim.
-Talvez a solução seja eu virar uma louca depressiva suicida ou alguma coisa assim.
-Não diz isso, você sabe que não. -Ele disse parando de andar. -Aproveita que o Breno tá vindo ali e vai falar com ele, fala alguma coisa, sei lá, tipo que você tava sensível e que não devia ter beijado ele e depois vai falar com a sua família, você não vai poder fugir de todo mundo para sempre. -Olhei para os lados para ver se o Breno tava vindo mesmo...merda, ele tá ali.
-Não...Murilo, fica aqui, sério. Eu não quero falar com o Breno e nem com a minha "família". -Fiz aspas com as mãos.
-Nem tudo nessa vida é como a gente quer. -Sei que ele tava segurando um sorrisinho...filho de uma puta. O problema do Mika é que ele já sabe como fugir de mim (ás vezes até parece que some de propósito) e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa para fazer ele ficar, ele já tava longe.
Enfim, não é necessariamente porque o Breno tá ali que eu vou ter que ir lá e falar com ele sobre o..os nossos beijo. O colégio é grande e eu posso muito bem fugir dele...há não ser que eu saia andando por ai falando comigo mesma e não preste atenção para onde eu estou indo e dai bata de cara no ombro dele que tava parado conversando com uns amigos...Puta que pariu, hein, Deus?! Tanta gente aqui e tinha que ser no ombro dele? Em outra vida eu devo ter sido quem prendeu Jesus na Cruz porque não é possível.
-Foi mau. -Falei olhando para o chão.
-Tá, não foi nada. -Ele disse e continuou tendo uma conversa com os amigos que já tinha percebido que me olhavam tipo "como ela é tonta" e ai eu fiquei lá mongando sem saber o que fazer...será que eu desvio e continuo indo reto e finjo que tava indo para o meio do mato e que ele tava no meio do caminho, ou vou para o outro lado ou continuo aqui parada mongando? Talvez isso seja um sinal divino que quer dizer que eu tenho que falar com ele, ou não... vou fingir que tava indo para o meio do mato.
Desviei dele e fui andando pelo resto da parte de cimento do chão mas antes de chegar no matagal eu mudei de idéia e...
-Breno! -Eu falei alto o suficiente para ele ouvir. Ai merda, porque eu fiz isso mesmo? Talvez ele não tenha ouvid...ah, ouviu sim. Ele olhou para a direção onde eu estava enquanto eu olhava em volta fingindo que não tinha feito nada mas não funcionou e ele começou a andar para cá. Nane, da tempo de correr para o mato, certeza de que ele não vai ir atrás...talvez ele comece a te achar uma trouxa com problemas mentais e te deixe em paz para sempre.
-Eu pensei que você tava me evitando. -Ele disse assim que chegou.
-Ah, você percebeu? -Falei passando a mão no meu cabelo.
-É, não teve como não perceber.
-Foi mau.
-Tá. -Eu não sabia como entrar naquele assunto com ele e quase amarelei mas sei que o corno do Mika tem razão e agora eu iria me sentir mau fugindo do Breno sabendo que ele percebeu.
-É...eu quero falar com você. -Falei segurando a respiração, como eu sou idiota.
-Então fala ué. -Ele disse cruzando os braços.
-Sobre aquele dia...sei lá, é que eu não sei...eu não devia, sabe? Ter te beijado.
-Ah, é...não, tá tudo bem eu também não, não devia ter te beijado. -E ficou um momento de silêncio e eu resolvi dar minha olhadinha básica em volta e os irmãos Bonin tavam me encarando e depois de olhar alguns segundos para os dois (mas principalmente para o Rafael) eu voltei a olhar para o Breno que também tava me encarando. Dei um sorrisinho para ele disfarçando.
-Então, como você tá? -Perguntei e finalmente acabei com o silêncio. Bem na hora o sinal do fim do recreio tocou.
-Bem e você?
-Totalmente na merda. -Ele riu e eu vi o Guilherme vindo para cá.
-Eu não sei o que eu faria no seu lugar.
-Eu também não sei o que fazer, parece que tudo resolveu dar errado de uma vez só.
-É, uma droga. E os seus pais?
-Ah, sei lá, to fugindo deles e da minha irmã o máximo que posso...meu quarto virou praticamente minha casa, não saio de lá enquanto não tiver certeza que não vou dar de cara com ninguém...-E o Guilherme chegou.
-Nane, da para a gente ter uma conversa. -O Guilherme perguntou.
-Ah, é que...-Apontei para o Breno.
-Eu tenho mesmo que ir para sala.
-Então tá. -Respondi.
-Até mais. -Ele disse e eu acenei então ele começou a andar para a sala.
-Que foi? -Perguntei para o Guilherme depois que o Breno já tinha se afastado um pouco.
-Eu disse que ia te ajudar com o meu irmão e como você não segue o manual que te passei eu resolvi...-Ele fez uma pausa que me deixou com medo. -...dar um empurrãozinho. -Disse como se fosse uma coisinha de nada.
-Que empurrãozinho? -Olhei para ele desconfiada.
-Eu contei para ele que você é afim dele. -E deu um sorrisinho.
Eu sei, eu sei, eu sei...mas como sempre: antes tarde do que nunca! :D Espero que tenham curtido e não esqueçam de dizer o que acharam. Beijos, Isa.
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