16 de setembro de 2013

Our song - Um Mika...apaixonado?

 -Então, Liliane, você não tem alguma coisa para contar para o seu pai? -Minha mãe disse quando a gente se sentou para jantar.

-Briguei com o professor de biologia e fui mandada para fora e sim, eu sei que é o segundo dia de aula.
-Respondi olhando para o meu pai antes que qualquer um pudesse dizer alguma coisa.

-Eu não acredito. -Minha irmã riu e meu pai balançou a cabeça negativamente.

-Ele disse que eu não tinha educação e eu disse que tenho sim e ele me mandou ir usar na coordenação. -Ocultei alguns fatos não muito importantes, tipo a parte que eu estava ouvindo música e tirando o esmalte velho da unha e tal, sabe? Sem importância.

-Agora nós temos que ver se ela vai ou não ficar de castigo. -Minha mãe começou. -Ela concordou ficar sem tv, computador e celular e ajudar nas tarefas de casa se pudesse ficar com o som para ouvir música.

-Tudo isso por causa de música? -Minha irmã balançou a cabeça negativamente.

-E também aprender a tocar aquele violão que está largado a muito tempo. -Minha mãe destacou.

-Sabe? -Eu comecei. -Eu acho que a Anne é que tem que ficar um pouco sem toda essa tecnologia porque ela só fica o dia inteiro no quarto no computador e quando não está no computador está no celular. -Sorri porque eu sabia que aquilo ia fazer meus pais pararem para pensar sobre isso e quando eles perceberem que é verdade vão fazer alguma coisa e ai quem vai rir sou eu.

-O assunto agora não sou eu. -A Anne disse.

-Mas vai ser. -Meu pai disse. -Liliane, eu vou pensar no seu castigo depois que eu ver seu caderno da escola.

Terminamos de jantar sem voltar a tocar no assunto de castigo e caderno mas eu sabia que ele ia olhar o meu caderno e não ver nada de matéria além daqueles zilhões de  folhas cheias de regras da aula de matemática que na minha opinião já é o suficiente e meu castigo vai continuar.

-Pegue os seus cadernos. -Meu pai disse se sentando no sofá da sala e indo ligar a tv.

Eu até tentei enrolar um pouco para levar os cadernos mas não deu certo  e eu tive que ir buscar os cadernos para ele olhar e foi como eu disse, mas o meu castigo não está exatamente a mesma coisa. Depois que ele resolveu acreditar em mim quando eu contei para ele a discussão na aula de biologia igual contei para minha mãe ele diminuiu o castigo um pouco e agora eu tenho que copiar a matéria que eu não tenho o que não deve ser tão díficil já que não tive nem dois dias de aula direito se pararmos para pensar, ajudar minha mãe em casa sempre que ela pedir e aprender a tocar o violão, agora eu tenho todas as minhas tecnologias que fodem com a visão e com os tímpanos de volta.

[...]

-Nossa, que incrível, ele ficou parado na porta enquanto o irmão dele buscava sal para você! -O Mika cochichou com desdém enquanto o professor estava de costa passando matéria no quadro e jogou o papel de bala que eu tinha jogado nele de volta em mim.

-Sim, mas ele me viu, e agora depois da vergonha de antes de ontem que fiquei que nem uma tonta olhando para ele e depois de ontem ele sabe que eu existo. -Sorri toda animadinha para ele jogando os papéis de bala dentro da minha bolsa.

-Eu ainda acho ele só mais um loiro de muitos que tem por ai. -Rolei os olhos.

-Murilo, meu querido amiguinho, quando você está apaixonada você não liga para todos os outros loiros que tem por ai, você só se importa com um e é ele que você quer e pronto. Você nunca se sentiu assim? -Ele apenas deu de ombros mordendo a bala.

-Eu só acho que isso é uma paixãozinha...quer dizer, uma obsessão. Se você quiser você consegue um cara melhor.

-Se eu não te conhecesse eu ia dizer...-Eu comecei a rir e ele rolou os olhos.

-Mas você conhece. -Ele franziu as sobrancelhas. -Desculpa, Nane, não rola mais que amizade entre a gente, eu gosto de outra, mas espero que a gente possa continuar amigos. -Dei um tapa nele que ria que nem o babaca que ele é.

-Nem em um milhão de anos. -Fiz cara feia mas depois eu ri também.

-Não precisa oprimir esse sentimento, eu entendo que não tem como não se apaixonar.

-Você é um idiota, sabia?

-Eu continuo sendo o seu idiota favorito? -Ele disse ficando sentado de lado na cadeira e arrumando o caderno em cima da mesa sem olhar para mim se preparando para começar a copiar a matéria.

-Vou dizer que sim só para não te deixar triste. -Ele me olhou e riu de novo balançando a cabeça negativamente. -Perai...-Eu disse uns segundos depois. -...você está  gostando de alguém? E você não me disse? -Franzi as sobrancelhas me aproximando mais dele que apenas de virou para frente me ignorando. -Mika...Mika...Mika...MURILO? -Eu disse cutucando ele ao mesmo tempo.

-Que foi, Nane? -Ele disse nervoso se virando para mim.

-Porque você não me disse que gosta de alguém?

-Porque...-Ele fez uma pausa olhando para o nada. -...sei lá. Agora eu posso copiar a droga da matéria?

-Cruzei os braços e ele aceitou aquilo como um "sim" e virou para frente de novo voltando a copiar.

Comecei a escrever um bilhete para ele, agora meu caderno tem uma utilidade.

-"Porque você me escondeu uma coisa dessas? Eu pensei que a gente fosse melhores amigos...
sabe? Tipo BFF's, irmãos de coração, parceiros e tudo isso." Amassei e joguei por cima do ombro dele e caiu em cima da carteira. Alguns segundos depois ele parou de escrever no caderno e abriu o bilhete, respondeu e jogou de volta por cima do ombro e o papel saiu voando e caiu no chão. Valeu, Mika, nem para jogar essa porra direito.

Depois de me contorcer mais que a lacraia para conseguir alcançar o bilhete eu consegui pegar.

-"Você é, eu só não achei que isso era tão importante. Eu não estou gostando daquele jeito apaixonado e nada disso, só acho que ela é uma menina legal e seria uma boa se rolasse alguma coisa entre a gente mas por enquanto nada".

-"Você devia ter me contado do mesmo jeito! Você não me ama mais, é isso? ):"

-"Drama agora não, tá? É claro que eu te amo, não te aguentaria por tantos anos se eu não te amasse."

-"Me conta quem é ela então".

-"Você não conhece".

-"Não importa".

-Depois a gente conversa sobre isso. -Ele disse rasgando o bilhete e me entregando. Rolei os olhos deixando ele prestar atenção na aula e guardei os pedaços do meu
antigo bilhete dentro da minha bolsa junto com os papéis de bala.

Eu até tentei copiar a matéria que tinha no quadro mas o professor apagou a parte que eu estava mesmo quando eu falei que não era para ele apagar quando ele perguntou se podia apagar. Me irritei com essa bosta e resolvi não copiar mais nada e me  diverti o resto da aula rabiscando a última folha do caderno...na verdade eu estava tentando desenhar mas os meus desenhos e rabiscos são quase a mesma coisa.

-Tó, para você. -Eu disse entregando meu desenho para o Mika quando passávamos pelo corredor e íamos até a cantina.

-Que isso? -Ele disse olhando.

-Um desenho. -Eu disse o óbvio.

-Tá, mas o que está desenhado?

-São dois pandas se beijando. -Ele me encarou. -É você e a sua namorada. -Sorri sabendo que meu plano de provocar ele tinha dado certo.

-Isso nem parece um panda e esse daqui parece que tem esquizofrenia...-Ele disse apontando no desenho.

-...E tem o chão desenhado mas eles não estão de pé no chão, estão tipo flutuando, mas mesmo assim, Nane, obrigado por essa bela obra de arte.

-De nada. -Dei um sorriso com todos os dentes. -Guarde isso, eu seria a Picasso do século 21.

-Tomara que você não tenha que virar artista para sobreviver. -Ele disse baixo olhando o desenho de novo antes de começar a dobrar para guardar no bolso.

-Cala a boca. -Olhei feio para ele. -Eu desenho muito bem.

-Ah, me desculpa, claro que desenha. Eu nunca faria melhor.

-Você poderia fingir que isso é verdade pelo menos uma vez. -Ele riu.

-Não, sério, obrigado pelo desenho. -Ele me abraçou mas sem paramos de andar.

-Certo.

Durante o recreio eu vi minha irmã toda felizinha mandando mensagem escondida já que no colégio não pode levar celular. Isso é estranho, tipo, muito estranho. Ela fica
sorrindo para o computador e para o celular, fica animadinha, não quer fazer mais nada que não envolva ficar mandando essas merdas de mensagens...

-Que foi? -O Mika disse voltando da cantina e se sentando do meu lado e me entregando o meu lanche que ele já tinha dado uma mordida gigante. Parei olhando para onde devia estar o resto do meu lanche e depois olhei para ele que deu de ombros como se não fosse com ele.

-Minha irmã está estranha. -Eu disse olhando para ele de baixo da árvore.

-Sua família é estranha.

-Falou o cara que nasceu em um país onde eles comem cachorrinhos.

-Eles não comem cachorros no Japão...eu acho. Eu não como cachorros. -Ele olhou para o nada. Você vai usar minha nacionalidade contra mim? -Ele me encarou e eu ri.

-Mas sério, se ela já é estranha então ela está mais do que o normal. Ela fica toda alegrinha olhando para a tela do computador e para o celular, fica mandando mensagem o dia inteiro e eu tenho que ficar indo atender a porta quando minha mãe não está lá porque ela se recusa a desgrudar dois minutos do computador para fazer isso e também ela anda muito feliz.

-Ah, eu sei lá. -Ele disse dando mais uma mordida no lanche dele que já estava quase no final. -Se você não andar logo eu vou comer o seu também. -Ele disse vendo que eu estava olhando ele comer. Não duvido nada de que o japonês gordo que não come cachorros esteja falando a verdade então resolvi comer meu lanche logo.

-E não pense que você não me deve explicações sobre a sua namorada. -Agora eu me calei mesmo.

-Ela não é minha namorada. -Dei de ombros mordendo meu lanche.

Quando o recreio acabou eu não tinha terminado de comer então eu tive que comer na sala. A professora vaca de física falou um monte sobre isso enquanto eu comia e quando eu terminei ela falou sobre como "sala de aula não é lugar para comer" e quando ela resolveu dar aula eu sabia que era hora de dormir e foi isso que eu fiz.

A esperta da Isabela aqui já estava esquecendo de postar mas como eu sou uma menina de palavra e sei que disse que teria um novo capítulo hoje ai está. 
Não aconteceu nada de muito emocionante e talvez tenha até ficado um pouco chatinho mas esse capítulo (pelo menos a idéia é essa) vai ser muito importante para os próximos fatos da história.
Espero que tenham gostado e até o próximo que ainda tenho que escrever então não prometo que vai sair na sexta hahaha mas enfim, veremos. Beijos, Isabela. 
 

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