Sabe, eu gosto de montanhas-russas. Ás vezes quando eu vou em parques de diversão, não vou em nenhum brinquedo além da montanha-russa. Não sei porque, nem sou tão corajosa assim, só sei que essa é a verdade.
Também gosto de pensar que a vida é como uma montanha-russa. Uma enorme montanha-russa que gostando ou não, tendo coragem suficiente ou não, nós temos que encarar.
Acho que o mesmo medo que sentimos quando estamos na fila para a montanha-russa é aquele medo que sentimos em relação ao futuro. É expectativa. É medo do desconhecido, não da para saber direito como vai ser quando estivermos lá.
Ás vezes o nosso carrinho vai subindo e subindo e a gente consegue apreciar a vista bonita lá de cima, sentimos o sol vindo direto no nosso rosto e de repente esse carrinho desce com tudo lá para baixo. Talvez você já soubesse que isso iria acontecer, que era inevitável; talvez já tivesse até verificado se o cinto estava preso direito para que essa decida não fosse tão ruim. Talvez você fosse pego desprevenido e quando percebeu já estava caindo. Talvez você até goste desse sobe e desce da vida simplesmente por saber que isso é viver. Talvez, talvez. A questão é que tudo muda. Você não vai ficar lá em cima ou lá em baixo para sempre.
Está ai a beleza em se viver. Tudo muda. É uma constante metamorfose. É engraçado como acabamos nos surpreendendo. Quando menos esperamos damos de cara com um lupi, e pode até parecer uma eternidade mas então você se da conta que o seu carrinho está subindo de novo. Uma hora você se pega gritando por medo, outra hora está se divertindo com toda aquela adrenalina. Ás vezes até chora, sente aqueles frios na barriga. Se não fosse por isso, andar de montanha-russa não teria graça. Se não fosse por isso, viver não teria graça.
Sabe, acho que entendi porque gosto tanto de montanhas-russas.
Sabe, acho que entendi porque gosto tanto de montanhas-russas.
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