1 de outubro de 2014

Our Song - Adoro a minha vida

Algumas semanas depois 

Quando as coisas na minha vida foderam de vez eu comecei a desejar que o meu problema fosse só com aquela prova de matemática fodida que para não perder o costume eu não estudei. Quer dizer, isso até eu ter que fazer uma prova de matemática fodida para qual eu não estudei.

-Como assim tem prova hoje? -Olhei assustada para o Mika. Eu nem sei que merda a gente está estudando.

-É semana de prova. -Ele respondeu como se fosse óbvio. -A gente vai ter prova de todas as matérias. -Porra, eu adoro a minha vida. Olhei para ele com cara de cachorro que caiu da mudança porque ele sabe o que eu quero pedir. -Nem me olha com essa cara! -Viu?

-Mas Mikaaaaaa! Uma colinha de vez em quando não vai matar ninguém.

-Da última vez que você me disse isso sabe o que aconteceu? A gente foi suspenso e minha mãe com certeza queria me matar. -E sim, ele não me passou cola e sim, eu me fodi. Com um amigo desses eu não preciso de inimigos. Valeu, Mika, também te amo!

Como de costume os problemas não acabam por ai porque bom, isso seria fácil demais, né? Meu pai resolveu marcar não só um jartazinho ou alguma droga dessas para nos apresentar a namoradinha dele mas como resolveu criar um fim de semana inteiro de recreação para a gente passar com ele e
com a vaca, indo cinema, boliche e essas merdas todas. Adoro a minha vida.

[...]

Meu pai alugou um apartamento na puta que pariu do outro lado da cidade que aliás, é a puta que pariu perto da casa dos meus avós e quando eu chego em casa preparada para voltar para o meu quarto dou de cara com ele na sala esperando a Anne e eu para levar para lá, parece que ele está aproveitando meu "bom humor" pós prova de matemática.

É a primeira vez que eu vejo minha mãe não agindo do jeito "estou nem ai" desde que os dois se separaram, agora ela está com uma cara de peixe morto com raiva. Sei que ela não gosta do fato de outra ter roubado o lugar dela, acho que se a tal mulher estivesse aqui nesse momento iria rolar uma bela de uma treta. De qualquer jeito eu também não gosto!

Ah, e sabe o que eles resolveram fazer comigo? Me levar para uma terapeuta depois que eles foderam com meu psicológico. Estou adorando, pode ter certeza.

-Vamos logo, meninas! Arrumem as coisas de vocês para o fim de semana.  -Meu pai apressou tentando ser o mais legal que consegue. Querido, isso não vai funcionar. -A gente tem que ir se encontrar para o almoço com a Valéria. -Claro, papai, estou tão ansiosa que vou demorar mais ainda.

Abri a porta do meu quarto e fiquei observando aquela zona, ele conseguiu ficar bem pior depois que adotei ele como casa: tem papel por todo lado, embalagem de comida, roupa, material de escola, sapatos, ursinhos de pelúcias, fotos, CD's...cobrindo cada centímetro dele, nem parece que esse lugar é habitado por alguém. Deu até vontade de arrumar ele mas já passou!

Joguei todo o material de dentro da minha mochila em um canto e comecei a encher ela com as primeiras peças de roupa que eu achei e com outras coisas que eu acho que vão ser necessárias para que eu possa sobreviver um fim de semana e depois coloquei uma música e me joguei na cama só para enrolar, já que eu não tenho escolha a não ser ir então pelo menos eu vou tentar adiar o máximo que eu puder e claro que eu quero provocar meu pai o máximo que conseguir.

"Don't worry 'bout a thing, cause every little thing is gonna be alright". Acho que o Bob Marley não descobriu um belo dia que os pais iam se separar por causa de traição e logo depois descobriu que era adotado e além do mais ele devia ser um ótimo aluno também para cantar uma música dessas! Tá, acho que vou levar esse CD comigo que o Breno gravou pela primeira vez para MIM mesma e não para a Anne. Valeu Breno, espero que você seja telepata para saber disso porque eu não vou falar em voz alta.

-NANE! ANDA! -E lá vem meu pai de novo. Depois dele me gritar mais umas dez vezes eu resolvi ir de verdade mas antes de sair olhei para minha toca como se fosse a última vez que eu fosse ver ela na vida e decidi pegar uma última coisa: uma foto de nós todos de quando a gente costumava ser feliz e uma família. Ai que gay, não vou deixar ninguém saber disso!

Quando cheguei na sala a minha irmã estava com a mesma cara de bunda que eu. Ótimo saber que estamos todos felizes! Meu pai também encheu o saco par levar todas as nossas coisas (uma mochila de cada uma) para o carro. Uau, resolveu todos os meus problemas!

Finalmente no carro a caminho de onde o Judas perdeu as botas, as meias...tudo, eu coloquei os fones e liguei na música mais paz e amor que achei para ver se eu me acalmo e não acabo surtando no meio do caminho e vou confessar que eu fiquei triste de deixar a minha mãe sozinha. Tipo, eu fiquei magoada sim por tudo o que aconteceu e ando tentando evitar ela o máximo que eu posso mas eu me sinto melhor sabendo que ela está ali no outro quarto mas agora ela vai estar do outro lado da cidade. Também tenho que confessar outra coisa: eu me senti bem melhor quando minha irmã chegou mais perto e me abraçou.

EEEEEEEEEEH! Sentiram saudades de Our Song? Eu sei que demorei horrores para escrever mas agora tive umas ideias que quero muito por em prática e agora também não tem nada para atrapalhar minha inspiração :D Esse daqui é meio que uma introdução das coisas que estão vindo por ai e não ficou tão legal e cheio de acontecimentos mas espero que vocês curtam mesmo assim! Ah, e logo logo também vou voltar a repostar Sophie ;) Beijos, Isa. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário