E foi isso mesmo, eu preparei o pão com manteiga e ela derrubou mesmo
metade do leite dos copos mas sobrou um pouco para a gente beber. Melhor
que nada.
-No que você está pensando? -Eu perguntei sentado do
lado dela em cima do balcão depois que vi que do meu lado só tinha o
corpo mesmo porque a cabeça estava em outro lugar. Ela soltou um
suspiro.
-Nele.
-Rafael?
-É. Odeio isso.
-O que?
-Gostar de alguém.
-Porque?
-Porque é uma merda.
-Nem sempre.
-Mas comigo sim.
-Ah, comigo também...- Eu disse pensando. -...acho que uma hora da certo.
-Minha vida é uma merda na maior parte do tempo em todos os sentidos.
-Ela começou a brincar com o pão, imagino que depois de tudo o que rolou
fome é o que ela menos tem.
-A minha também. -Dei de ombros.
-Não deve ser tão ruim igual a minha.
-Não, mas se você parar para pensar tem gente que tem uma vida pior que a minha e a sua juntas. -Ela ficou em silêncio.
-Você sempre tem um lado positivo para tudo? -Ela disse depois de um tempo. -Eu tento. -Sorri.
-Eu devia ser mais como você. Acho que é isso que falta para mim, sabe?
Positividade e tal. Acho que tudo que falta em mim tem em você. -Sai
de cima do balcão.
-Então juntos nós somos um Ying-Yang. -Pisquei e ela riu.
-É, tipo isso. -Ela pareceu voltar a pensar. -Eu tentei ser o tipo de
garota que ele gosta e nem assim deu certo. Parece que quanto mais eu
tento pior as coisas ficam...na verdade de qualquer jeito tudo está uma
merda mas quando eu tento fazer algo funcionar parece que só fode tudo.
-E como você tentou isso?
-Ué, virando uma garota de quem ele iria gostar.
-Mas ele tem que gostar de você do jeito que você é. -Disse me aproximando do balcão aonde ela ainda estava.
-Ele não gosta de mim de jeito nenhum.
-Mas alguém vai acabar gostando.
-Tomara. -Ela pulou de cima do balcão ficando mais perto de mim. -Tomara. -Ela repetiu.
-Você é legal quando não está em uma discussão...-Eu disse lembrando de
quando nós dois brigamos. -...e um dia alguém vai perceber isso.
-Eu digo o mesmo de você.
-Obrigado. -Disse colocando a mão no coração e ela me empurrou.
-Besta. -Ela me encarou e eu apenas ri.
-Digo o mesmo de você. -Repeti tentando imitar a voz dela que tentou me
acertar uns tapas sem sucesso porque consegui segurar as suas mãos
primeiro enquanto eu ria.
-Para de rir. -Ela me olhou com cara feia e eu só fiz com que não com a cabeça. Ela conseguiu soltar uma das mãos.
-Ah nã...-Ela me interrompeu me puxando e...me beijando.
Quando o beijo parou eu nem prestei muita atenção em se ela disse
alguma coisa ou sei lá e também não sei porque mas eu beijei ela de novo
até o celular dela começar a tocar. Ela olhou quem era mas ignorou e do
nada levou um susto e bateu a mão em um dos copos de leite em cima do
balcão derrubando tudo.
-Foi mal, eu vou limpar. -Ela disse.
-Não, deixa que eu limpo. -Eu respondi tentando segurar ela mas ela
conseguiu escapar e esbarrou na mesa derrubando mais algumas coisas.
-Ah, que merda. Eu sou muito desastrada. -E foi ai que eu reparei que meu pai estava ali na porta o tempo todo. -Foi mal.
-Deixa que eu arrumo.
-É, acho melhor, não quero derrubar mais nada. -Ela disse saindo da cozinha. -Foi mal mesmo. -Ela disse passando pelo meu pai.
-Essas coisas acontecem. -Eu disse indo atrás dela. Ela sentou no sofá e começou a colocar o tênis.
-Foi mal. Acho que é melhor eu ir embora.
-Embora para onde? -Ela deu de ombros.
-Obrigada, Breno, não sei o que eu teria feito se você não tivesse me
ajudado. -Ela sorriu fraco. -Eu te vejo na escola, tá? Obrigada de novo e
foi mal pela bagunça. -Concordei.
-Eu vou com você até a porta então. -Ela levantou indo na frente.
-Obrigada e foi um prazer. -Ela disse para o meu pai.
-O prazer foi meu. -Ele sorriu para ela que respondeu com uma mexida de cabeça.
-Bom, tchau. -Ela disse já do lado de fora.
-Toma cuidado.
-Eu vou.
-Certo...então, até mais.
-Até. -Ela sorriu e foi em direção do elevador.
Hmmmmmmm....e ai, gostaram? Essa é a continuação do capítulo narrado pelo Breno e foi escrito com a ajuda da Ju Borges ;) Alguém ai também gosta de Ying Yang? O que acham que vai acontecer agora? Beijos, Isa.
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