Breno POV
Acordei com luz do sol na cara e com o meu pai tentando
sair despercebido depois de desligar a tv que ficou ligada a noite toda.
Eu dormi na sala. Não fui só eu. Quando fui me mexer percebi que a Nane
ainda estava dormindo abraçada comigo e quando me mexi ela começou a
acordar também e mesmo eu tentando ficar parado para ver se ela voltava a
dormir não deu certo e ela acordou.
Ela parecia meio perdida
enquanto coçava um dos olhos quase fechados por causa da luz e depois
olhava em volta e parecia pensar para ver se as últimas horas tinham
sido verdade e então ela infelizmente percebeu que sim.
-A gente dormiu aqui? -Ela disse com a voz meio rouca. Concordei com a cabeça. -Que horas são?
-Eu não sei. -Ela pegou o celular e deu um riso, não de felicidade mas
algo meio sarcástico e depois me mostrou: era um pouco mais que oito da
manhã e ela tinha só 100 chamadas perdidas e um monte de mensagens não
lidas. -Eles estão mesmo querendo te achar. -Ela deu de ombros.
-E eu não quero mesmo ser achada.
-Eles devem estar surtando, você podia dar sinal de vida para alguém. -Ela me olhou como se aquilo tivesse sido absurdo.
-Breno...
-Não precisa ser pros seus pais, só outra pessoa, sei lá, tem gente que
se importa com você e que devem estar arrancando os cabelos de
preocupação com você. -Ela riu.
-Táááá... eu vou avisar o Mika que
eu to viva. -Ela rolou os olhos e começou a mexer no celular de novo e
depois encostou ele no ouvido e ficou fazendo caretas enquanto não era
atendida. -Alô? ALÔ?! MI...MIKA, VOCÊ EST...Alôooo? Calma, eu...eu estou
bem, só liguei para avisar que estou viva. Não, eu não passei a noite
na rua. Eles o que? SE ACALMA! Então diz para eles que eu estou bem e
que nem morta eu vou dizer aonde eu estou e agora eu preciso desligar,
mais tarde eu te ligo de novo...eu juro! É, eu ligo, pode deixar...não
precisa chamar a policia. Tá, tchau. -E ela desligou.
-Eu avisei que eles estavam surtando.
-É... -E ficou um silêncio por um tempo enquanto nos encarávamos.
-Olha...-Eu disse quebrando o silêncio que já estava ficando
constrangedor. -...eu não sei que merda que seus pais tinham na cabeça
quando eles acharam que agora seria o melhor momento para te contar uma
coisa dessas, tipo, primeiro que eles não deviam ter escondido de você
mas mesmo que a sua mãe não tenha te gestado e tudo mais, eles te
criaram e é isso que é ser pais. -Ela me encarou. -O que eu estou
tentando te dizer é que você não tem o sangue deles mas isso não faz com
você não seja filha deles e eles os seus pais, pais é quem cria e não
necessariamente quem põe no mundo. Você tem sorte de ter sido adotada e
mesmo que as coisas estejam ruins agora não vai ficar assim para
sempre...
-Só vão piorar.
-Nanee..
-Eu entendi. -Ela olhava
para as próprias mãos. -Eu só não quero ter que voltar para lá agora,
eu preciso de um tempo, é muita informação para ter que digerir.
-Concordei.
-Você pode ficar aqui. -Falei mas depois fiquei preocupado achando que poderia ter soado estranho.
-Valeu. -Ela disse dando um tapinha no meu ombro.
-Vou te deixar sozinha..para sei lá, pensar. -Disse me levantando e saindo de lá.
-Breno!
-Que?
-Eu não quero ficar sozinha.
-Ah...tá bom.
-Eu disse me jogando no sofá do lado dela de novo e vi que ela estava me
olhando e olhei para ela de volta. -O que a gente faz agora?
-Não sei. -Ela deu de ombros.
-Quer comer alguma coisa?
-Ah...é, pode ser.
-Legal. -Me levantei e estiquei a mão que ela segurou e fui puxando ela
até a cozinha. -Você sabe fazer alguma coisa? -Olhei para ela depois
que eu olhei pra cozinha.
-É...não. E você?
-Acho que não se come miojo no café da manhã.
-Sendo assim eu sei fazer leite com Nescau...mas ou menos...eu derrubo
um monte de leite do copo mas da certo no fim...mais ou menos. -Eu ri.
-Então eu passo a manteiga no pão e você faz o leite com Nescau.
-Boa ideia. -Ela sorriu.
E ai? Gostaram do capítulo? O que acharam dele ser narrado pelo Breno? Querem mais coisas assim? Espero que tenham gostado. Beijos, Isa.
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