4 de março de 2014

Our Song - Ying Yang (parte 1)

Breno POV 

Acordei com luz do sol na cara e com o meu pai tentando sair despercebido depois de desligar a tv que ficou ligada a noite toda. Eu dormi na sala. Não fui só eu. Quando fui me mexer percebi que a Nane ainda estava dormindo abraçada comigo e quando me mexi ela começou a acordar também e mesmo eu tentando ficar parado para ver se ela voltava a dormir não deu certo e ela acordou.

Ela parecia meio perdida enquanto coçava um dos olhos quase fechados por causa da luz e depois olhava em volta e parecia pensar para ver se as últimas horas tinham sido verdade e então ela infelizmente percebeu que sim.

-A gente dormiu aqui? -Ela disse com a voz meio rouca. Concordei com a cabeça. -Que horas são?

-Eu não sei. -Ela pegou o celular e deu um riso, não de felicidade mas algo meio sarcástico e depois me mostrou: era um pouco mais que oito da manhã e ela tinha só 100 chamadas perdidas e um monte de mensagens não lidas. -Eles estão mesmo querendo te achar. -Ela deu de ombros.

-E eu não quero mesmo ser achada.

-Eles devem estar surtando, você podia dar sinal de vida para alguém. -Ela me olhou como se aquilo tivesse sido absurdo.

-Breno...

-Não precisa ser pros seus pais, só outra pessoa, sei lá, tem gente que se importa com você e que devem estar arrancando os cabelos de preocupação com você. -Ela riu.

-Táááá... eu vou avisar o Mika que eu to viva. -Ela rolou os olhos e começou a mexer no celular de novo e depois encostou ele no ouvido e ficou fazendo caretas enquanto não era atendida. -Alô? ALÔ?! MI...MIKA, VOCÊ EST...Alôooo? Calma, eu...eu estou bem, só liguei para avisar que estou viva. Não, eu não passei a noite na rua. Eles o que? SE ACALMA! Então diz para eles que eu estou bem e que nem morta eu vou dizer aonde eu estou e agora eu preciso desligar, mais tarde eu te ligo de novo...eu juro! É, eu ligo, pode deixar...não precisa chamar a policia. Tá, tchau. -E ela desligou.

-Eu avisei que eles estavam surtando.

-É... -E ficou um silêncio por um tempo enquanto nos encarávamos.

-Olha...-Eu disse quebrando o silêncio que já estava ficando constrangedor. -...eu não sei que merda que seus pais tinham na cabeça quando eles acharam que agora seria o melhor momento para te contar uma coisa dessas, tipo, primeiro que eles não deviam ter escondido de você mas mesmo que a sua mãe não tenha te gestado e tudo mais, eles te criaram e é isso que é ser pais. -Ela me encarou. -O que eu estou tentando te dizer é que você não tem o sangue deles mas isso não faz com você não seja filha deles e eles os seus pais, pais é quem cria e não necessariamente quem põe no mundo. Você tem sorte de ter sido adotada e mesmo que as coisas estejam ruins agora não vai ficar assim para sempre...

-Só vão piorar.

-Nanee..

-Eu entendi. -Ela olhava para as próprias mãos. -Eu só não quero ter que voltar para lá agora, eu preciso de um tempo, é muita informação para ter que digerir. -Concordei.

-Você pode ficar aqui. -Falei mas depois fiquei preocupado achando que poderia ter soado estranho.

-Valeu. -Ela disse dando um tapinha no meu ombro.

-Vou te deixar sozinha..para sei lá, pensar. -Disse me levantando e saindo de lá.

-Breno!

-Que?

-Eu não quero ficar sozinha.

-Ah...tá bom. -Eu disse me jogando no sofá do lado dela de novo e vi que ela estava me olhando e olhei para ela de volta. -O que a gente faz agora?

-Não sei. -Ela deu de ombros.

-Quer comer alguma coisa?

-Ah...é, pode ser.

-Legal. -Me levantei e estiquei a mão que ela segurou e fui puxando ela até a cozinha. -Você sabe fazer alguma coisa? -Olhei para ela depois que eu olhei pra cozinha.

-É...não. E você?

-Acho que não se come miojo no café da manhã.

-Sendo assim eu sei fazer leite com Nescau...mas ou menos...eu derrubo um monte de leite do copo mas da certo no fim...mais ou menos. -Eu ri.

-Então eu passo a manteiga no pão e você faz o leite com Nescau.

-Boa ideia. -Ela sorriu.

E ai? Gostaram do capítulo? O que acharam dele ser narrado pelo Breno? Querem mais coisas assim? Espero que tenham gostado. Beijos, Isa. 

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