18 de dezembro de 2013

Our Song - Se vingando do Nicolas

Eu fiquei a aula toda pensando no que eu iria me fazer para me vingar do Nicolas mas não consegui pensar em nada, acho que a única coisa que eu posso fazer é confrontar ele e arrumar confusão mesmo, igual a Anne não quer que eu faça.

Um pedaço de papel me acertou e quando eu olhei em volta vi o Guilherme me olhando e dai eu entendi que o papel é um bilhete. Eu o peguei do chão, esperei a professora parar de olhar na minha direção e fui ler o que estava dizendo (com um pouco de dificuldade por causa que a letra dele...bom, não é lá das melhores).

-"Oi! Os seus pais vão mesmo se separar? Ouvi falarem lá no prédio."

-"Aposto que foi aquele gordo daquele síndico que fica espalhando as coisas que acontecem para todo mundo! De qualquer jeito, vão sim, não sei porque mas eles vão."

-"E como você tá?" -Ele querendo saber como eu estou? Nossa, que estranho! Tipo, nós não somos amigos e nem nada e eu também larguei aquela puta louça para ele arrumar daquela vez, se fosse ao contrário eu ia estar com raiva da pessoa e não querendo saber se ela está bem. Bom, ainda bem que as pessoas do mundo (ou pelo menos a maioria, eu espero) não são como eu, porque se fosse assim a raça humana já teria entrando em extinção na época do homem das cavernas.

-"É, o máximo na medida do possível. E você, como tá?"

-"To legal ;) Você vai continuar seguindo as coisas que eu disse para conquistar o meu irmão?"

-"Eu não to no clima de ficar me arrumando para ninguém não."

-"Tá, mas e depois que tudo isso passar?"

-"Vai depender de como as coisas vão estar, mas eu espero que sim".

-"Legal. Boa sorte ai, então".

-"Valeu! :)"

Quando o sinal do fim da aula bateu eu corri para o bloco onde ficam as salas do segundo ano onde eu acho que o Nicolas estuda procurar por essa peste mas não consegui encontrar aquela maldita cabeça ruiva em lugar nenhum e já que a minha mãe não ia poder ir para casa sem me levar junto (eu acho) eu resolvi ficar mais um tempo procurando para ele e depois que quase todo mundo já tinha ido embora...eu achei.

-Eu queria saber quem foi o inúltil que saiu falando aquele monte de porcarias sobre mim, Nicolas. -Ele abriu um sorriso cínico. 

-Eu só contei a minha versão da história e depois fizeram o resto.

-E qual é a sua versão da história? -Cruzei os braços tentando fazer a cara mais feia que eu consegui.

-Que você pediu para ficar comigo e eu recusei e dai você ficou louca de raiva e fez tudo aquilo. -Eu ri com deboche.

-Até parece.

-Eles acreditam mais em mim do que em você. Ninguém mandou ser essa estranha anti social.

-Mas ainda tem uma coisa que eu posso fazer. -Falei tentando manter minha cara de má e ele abriu aquele sorriso de novo enquanto cruzava os braços.

-O que?

-Você quer mesmo saber? -Disse me aproximando e ele concordou.

Dei um tapa no seu rosto que deixou estampada a marca da minha mão da cor dos cabelos dele, e enquanto ele colocava a mão no lugar atingido eu continuei acertando vários outros tapas.

-PARA! -Ele estava ficando todo vermelho mas é claro que eu não ia parar. Ele continuou protegendo o rosto com uma das mãos e com a outra tentava segurar a minha mão mas dessa vez foi em vão, continuei o acertando até que eu decidi que aquilo estava sendo pouco e comecei a dar socos. Ele começou a dar passos para trás tentando fugir até que tropeçou enquanto fazia isso e foi parar no chão, vantagem para mim que pulei em cima dele e continuei o acertando o máximo que podia. E foi assim até ele conseguir agarrar a minha mão e levar uma mordida que provavelmente vai deixar muitas marcas depois.

-SE ACALMA! -Uma voz que eu conheço disse enquanto eu era tirada de cima do frango ruivo do Nicolas.

-É para esse idiota aprender a não sair espalhando mentiras sobre mim por ai de novo. -Eu estava tentando escapar e voar em cima daquele vadio de novo mas estava difícil.

-Nane, para. Você já deu uma boa lição nele! -A voz era do Gui.

-Tá tudo certo? -O Gui perguntou pro Ed Sheeran paraguaio que ai estava no chão analisando todas as marcas vermelhas e hematomas que eu deixei nele.

-Essa menina é louca. -Ele respondeu.

-CALA ESSA MERDA DE BOCA! -Eu disse partindo para cima dele esquecendo que estava sendo segurada. Aliás, estão me segurando por trás, puta merda, ainda bem que tem uma mochila entre nós.

-Se acalma, ferinha. -Quem me segurava falou, e ai eu consegui perceber quem era....RAFAEL! Me acalmei pelo simples motivo de que gelei por estar perto dele.

-Tá, vamos. -O Gui falou para nós depois que terminou a sua conversa com o outro lá e eu fui sendo segurada até o lado de fora do colégio, mas agora com o Gui segurando o meu braço. -Não quero chegar na escola e ver você batendo em alguém de novo. -O Gui disse e olhou rápido para o irmão.

-Eu não podia deixar as coisas daquele jeito. -Cruzei os braços.

-Você vai se dar mal. -Dei de ombros. -Tenho que ir, meu pai tá ali esperando. -Ele apontou para um carro. Concordei.

-Tchau.

-Tenta não bater em ninguém. -Ele riu.

-Não prometo nada. -Respondi e fiquei olhando os dois andando em direção o carro e assim que eles foram eu sai correndo para procurar a minha mãe que provavelmente vai arrancar o meu couro.

-Aonde você estava? -Ela perguntou.

-Falando com o Guilherme.

-Ele é nosso vizinho, você pode falar com ele qualquer hora. -A Anne se intrometeu.

-Mas eu quis falar com ele agora. -Eu respondi e bati a porta do carro acabando com a nossa conversa.

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