Eu fiquei a aula toda pensando no que eu iria me fazer para me vingar do Nicolas mas não consegui pensar em nada, acho que a única coisa que eu posso fazer é confrontar ele e arrumar confusão mesmo, igual a Anne não quer que eu faça.
Um pedaço de papel me acertou e quando eu olhei em volta vi o Guilherme me olhando e dai eu entendi que o papel é um bilhete. Eu o peguei do chão, esperei a professora parar de olhar na minha direção e fui ler o que estava dizendo (com um pouco de dificuldade por causa que a letra dele...bom, não é lá das melhores).
-"Oi! Os seus pais vão mesmo se separar? Ouvi falarem lá no prédio."
-"Aposto que foi aquele gordo daquele síndico que fica espalhando as coisas que acontecem para todo mundo! De qualquer jeito, vão sim, não sei porque mas eles vão."
-"E como você tá?" -Ele querendo saber como eu estou? Nossa, que estranho! Tipo, nós não somos amigos e nem nada e eu também larguei aquela puta louça para ele arrumar daquela vez, se fosse ao contrário eu ia estar com raiva da pessoa e não querendo saber se ela está bem. Bom, ainda bem que as pessoas do mundo (ou pelo menos a maioria, eu espero) não são como eu, porque se fosse assim a raça humana já teria entrando em extinção na época do homem das cavernas.
-"É, o máximo na medida do possível. E você, como tá?"
-"To legal ;) Você vai continuar seguindo as coisas que eu disse para conquistar o meu irmão?"
-"Eu não to no clima de ficar me arrumando para ninguém não."
-"Tá, mas e depois que tudo isso passar?"
-"Vai depender de como as coisas vão estar, mas eu espero que sim".
-"Legal. Boa sorte ai, então".
-"Valeu! :)"
Quando o sinal do fim da aula bateu eu corri para o bloco onde ficam as salas do segundo ano onde eu acho que o Nicolas estuda procurar por essa peste mas não consegui encontrar aquela maldita cabeça ruiva em lugar nenhum e já que a minha mãe não ia poder ir para casa sem me levar junto (eu acho) eu resolvi ficar mais um tempo procurando para ele e depois que quase todo mundo já tinha ido embora...eu achei.
-Eu queria saber quem foi o inúltil que saiu falando aquele monte de porcarias sobre mim, Nicolas. -Ele abriu um sorriso cínico.
-Eu só contei a minha versão da história e depois fizeram o resto.
-E qual é a sua versão da história? -Cruzei os braços tentando fazer a cara mais feia que eu consegui.
-Que você pediu para ficar comigo e eu recusei e dai você ficou louca de raiva e fez tudo aquilo. -Eu ri com deboche.
-Até parece.
-Eles acreditam mais em mim do que em você. Ninguém mandou ser essa estranha anti social.
-Mas ainda tem uma coisa que eu posso fazer. -Falei tentando manter minha cara de má e ele abriu aquele sorriso de novo enquanto cruzava os braços.
-O que?
-Você quer mesmo saber? -Disse me aproximando e ele concordou.
Dei um tapa no seu rosto que deixou estampada a marca da minha mão da cor dos cabelos dele, e enquanto ele colocava a mão no lugar atingido eu continuei acertando vários outros tapas.
-PARA! -Ele estava ficando todo vermelho mas é claro que eu não ia parar. Ele continuou protegendo o rosto com uma das mãos e com a outra tentava segurar a minha mão mas dessa vez foi em vão, continuei o acertando até que eu decidi que aquilo estava sendo pouco e comecei a dar socos. Ele começou a dar passos para trás tentando fugir até que tropeçou enquanto fazia isso e foi parar no chão, vantagem para mim que pulei em cima dele e continuei o acertando o máximo que podia. E foi assim até ele conseguir agarrar a minha mão e levar uma mordida que provavelmente vai deixar muitas marcas depois.
-SE ACALMA! -Uma voz que eu conheço disse enquanto eu era tirada de cima do frango ruivo do Nicolas.
-É para esse idiota aprender a não sair espalhando mentiras sobre mim por ai de novo. -Eu estava tentando escapar e voar em cima daquele vadio de novo mas estava difícil.
-Nane, para. Você já deu uma boa lição nele! -A voz era do Gui.
-Tá tudo certo? -O Gui perguntou pro Ed Sheeran paraguaio que ai estava no chão analisando todas as marcas vermelhas e hematomas que eu deixei nele.
-Essa menina é louca. -Ele respondeu.
-CALA ESSA MERDA DE BOCA! -Eu disse partindo para cima dele esquecendo que estava sendo segurada. Aliás, estão me segurando por trás, puta merda, ainda bem que tem uma mochila entre nós.
-Se acalma, ferinha. -Quem me segurava falou, e ai eu consegui perceber quem era....RAFAEL! Me acalmei pelo simples motivo de que gelei por estar perto dele.
-Tá, vamos. -O Gui falou para nós depois que terminou a sua conversa com o outro lá e eu fui sendo segurada até o lado de fora do colégio, mas agora com o Gui segurando o meu braço. -Não quero chegar na escola e ver você batendo em alguém de novo. -O Gui disse e olhou rápido para o irmão.
-Eu não podia deixar as coisas daquele jeito. -Cruzei os braços.
-Você vai se dar mal. -Dei de ombros. -Tenho que ir, meu pai tá ali esperando. -Ele apontou para um carro. Concordei.
-Tchau.
-Tenta não bater em ninguém. -Ele riu.
-Não prometo nada. -Respondi e fiquei olhando os dois andando em direção o carro e assim que eles foram eu sai correndo para procurar a minha mãe que provavelmente vai arrancar o meu couro.
-Aonde você estava? -Ela perguntou.
-Falando com o Guilherme.
-Ele é nosso vizinho, você pode falar com ele qualquer hora. -A Anne se intrometeu.
-Mas eu quis falar com ele agora. -Eu respondi e bati a porta do carro acabando com a nossa conversa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário