Se despertadores morressem, eu matava essa porcaria. Acordei uma hora mais cedo para me arrumar para ficar no mínimo apresentavel e tentar seguir as regras do Guilherme, só não sei como serei uma menina "que se cuida, fofa, de bom humor, simpática, confiante, boa de conversa, comportada e com estilo" e ser eu mesma e ainda ser boa aluna e inteligente, que espero conseguir estudando, gostosa, que vou tentar conseguir como o corno do Guilherme disse: na academia, e cheirosa eu já sou...eu acho que sou...eu espero que sim.
-Ok, Rafael, isso é por você. É melhor você me amar por isso. -Eu disse para mim mesma no máximo da minha maluquice me levantando da cama com muita dificuldade e vontade de desistir dessa porcaria toda antes mesmo de começar, peguei me uniforme (ou o que eu acho que é meu uniforme porque estava com preguiça de acender a luz) e fui para o banheiro tomar banho.
Primeiro comecei dormindo por uns dez minutos debaixo do chuveiro e depois eu decidi realmente começar a tomar banho.
-Liliane? -Meu pai bateu na porta.
-O QUE? -Gritei para ter certeza de que ele iria escutar.
-Porque você está acordada? -É, acho que isso é uma coisa muito estranho.
-Resolvi começar a me arrumar mais cedo para...para...melhorar meu humor de manhã. -Melhor coisa que eu consegui pensar, desculpa.
-Ah, tá.
-IF I WAS FROM PARIS, IF I WAS FROM PARIS I'D SAY WOULD SAY, UHLALALALALA...-Eu canto muito bem, nossa. Graças a Deus que ninguém tá ouvindo. Mentira, deve ter alguém tendo essa infelicidade mas foda-se.
-LILIANE, CALA A BOCA! -Escutei minha irmã gritando e só porque é ela me mandando parar eu vou continuar e eu também pretendo descobrir com quem ela fala tanto.
-ANNE, VAI SE FODER!
-Não fala assim com a sua irmã. -Dessa vez foi a minha mãe, acho que eu acordei todo mundo, que lindo.
Ignorei todo mundo e terminei o meu banho, me enxuguei no meu jeito mais ou menos e comecei a pegar todos os cremes e perfumes e essas coisas de beleza que eu consegui achar no banheiro e comecei a usar todos. Passei uns três hidratantes, uns cinco cremes para coisas diferentes no cabelo, o desodorante da minha mãe e o da minha irmã, colônia para o corpo, usei um sabonete esfoliante lá e até um treco para passar no cabelo antes de usar o secador...a porra, eu esqueci do secador.
Sai enrolada na toalha deixando um rastro de água do meu cabelo pelo chão sendo seguida pelo cheiro de todas aqueles produtos que passei no banheiro e andei até o quarto dos meus pais silênciosa feito um elefante e peguei o secador mas não antes de derrubar metade das coisas que tinham em cima de uma cômoda e sair correndo (e depois quase escorregar na água que eu deixei no chão) para não ter que arrumar tudo. Aproveitei para passar no quarto da minha irmã e roubar as maquiagens e acender a luz na cara dela.
Sã e salva no banheiro, eu finalmente me vesti e escovei os dentes, penteei o meu cabelo e depois o sequei e comecei a tentar me maquiar mas eu acho que eu devia ter começado a treinar isso uns anos atrás. Eu já estava tentando passar a porra do delineador pela terceira vez mas toda vez ficava uma merda e quando ficava bonitinho eu fazia um olho diferente do outro e quando eu ia tentar arrumar eu estragava e ficava uma merda.
-Liliane, esse banheiro não é só seu então sai dai. -Ela disse batendo na porta. Eu e ela dividimos esse banheiro e os meus pais dividem o banheiro que tem no quarto deles.
-Eu to me arrumando, vou sair quando eu terminar.
-A gente tem que ir tomar café e eu ainda nem consegui me olhar no espelho porque você não sai dai.
-Se eu fosse você eu não iria querer me olhar no espelho...principalmente com a cara que você levanta.
-ANDA, LILIANE! -Ela berrou me dando um susto.
-Nane, abre a porta. -Meu pa disse e eu abri olhando com cara de bunda para os dois e depois voltando para o espelho tentar arrumar essa porcaria de maquiagem. Esse negócio tá ficando complicado demais na minha opinião.
-O que você tá tentando fazer?
-Tentando passar pelo espelho para ver se assim eu consigo chegar em Nárnia...o que você acha que eu to fazendo?
-Você precisa treinar antes de passar o delineador, idiota.
-E quem te perguntou?
-Deixa eu arrumar isso.
-Não.
-Anda logo, Liliane. -Fiz um barulho estranho tentando mostrar a minha irritação e depois eu deixei ela arrumar isso para mim porque eu sei que eu não vou conseguir fazer isso sozinha.
-Tá, valeu. -Eu disse depois que ela avisou que tinha acabado e fui me olhar no espelho. Ficou melhor do que eu vou conseguir fazer depois de dez anos de treino, tá igual as meninas de delineador que vejo as fotos na internet. -É, ficou bom. -Disse tentando mostrar indiferença.
-Agora sai do banheiro. -Ela disse com o mesmo jeito irritante que ela usou na hora que estava quase arrombando a porta e então eu sai do banheiro mas só porque eu quis sair de lá e fui dormir um pouco no sofá enquanto eles tomam café da manhã. Odeio café da manhã.
[...]
-Nossa, Nane, então tá seguindo o que eu te disse? -O Guilherme apareceu do além.
-Só porque eu to maquiada não que dizer que foi porque você mandou eu me arrumar, idiota.
-Já vi que o simpática, fofa e tudo aquilo não vai rolar, né?
-Você ir se foder também não vai rolar, né?
-Meu irmão tá vindo ai, seja legal pelo menos na frente dele.
-E porque ele iria vir aqui se ele tem muitos ami...
-RAFAEL!
-Filho de uma puta. -Ele começou a fingir uma risada.
-Ah, você é tão engraçada, Nane.
-Que? -O Rafael apareceu com uma cara de The Walking Dead igual a minha por baixo da maquiagem.
-Você não acha que ela devia saber cozinhar?
-Tanto faz, Guilherme, o que eu tenho a ver com isso? -O meu futuro marido disse com um bom humor incrível.
-É que a gente não entra em um acordo. -O Guilherme disse enquanto eu pensava em como seria a morte dele.
-Porque você não ensina logo, caralho, e para de me encher o saco por causa disso? -Eu ri e ele saiu andando. Falando nele, eu ainda não aceitei o pedido de amizade dele, ai meu Deus. Quero voltar para casa logo só para adicionar ele, ai meu Deus.
-Para de tentar dar uma de meu amiguinho e me deixa em paz. -Sai deixando o Guilherme sozinho, ainda mais quando conseguir ver o Murilo chegando.
Sai feito uma louca correndo até a biblioteca porque eu sei que ele não vai me procurar lá e eu não to nem um pouco a fim de ter que falar com ele, se ele quer conversar ele que vá conversar com a namorada dele e quando eu me escondi atrás das estantes de livros o sinal bateu e eu tive que correr de volta até o bloco onde fica a minha sala para tentar experimentar essa vida de boa aluna e conseguiu um lugar longe do Murilo e adivinha? Eu não consegui, minha vida é uma merda.
-Nane! -Ele se virou para trás assim que o professor começou a passar matéria no quadro. -Nane! -Ele cutucou o meu braço que estava em cima da mesa e eu continuei ignorando ele. -Liliane! Para de fazer isso e olha para mim. Nane...Nane...Nane...Nane...
-Murilo! -O professor falou assustando ele que se virou para frente novamente mas assim que o professor começou a passar matéria no quadro ele voltou a me encher o saco.
-Liliane Medeiros Borges, eu não acredito que você vai fazer isso comigo só porque deixei de te contar uma coisa. -Ele ficou quieto, acho que ele esperava que eu respondesse mas eu só fingi que ele nunca existiu e que não estava ali. -Eu não queria te contar uma coisa que eu não sabia se ia dar certo, tá? Eu meio que tava com receio porque ela é mais velha e tipo, o que ela iria querer comigo? Não queria te magoar com isso e nem te deixar brava comigo então, eu espero que você me desculpe porque não quero que a nossa amizade da maternidade acabe por causa de uma garota. -Ele disse e depois se virou para frente de novo.
-É, mas você prefere a garota do que agir como um amigo.
-Eu não deixei de ser seu amigo só por causa disso, é só uma garota.
-Mas se você gosta dela, ela não é só uma garota.
-Eu já disse que eu não sabia se ia dar certo, que ela é mais velha e o que ela ia querer com um moleque de 15?
-Pensei que você não gostasse de ser chamado de moleque.
-E dai?
-E dai que você tá se chamando de moleque.
-Isso não importa, Nane. Se você quer saber ela é do terceiro ano e estuda aqui na escola. A gente conhece uma pessoa em comum e foi assim que a gente se conheceu e eu nunca tinha imaginado ter alguma coisa tipo esse rolo que a gente tá tendo antes, sabe? Se alguém me contasse que a gente ia chegar em alguma coisa assim um tempo atrás eu com certeza ia descordar mas nas férias você sabe como é, naquela festa do Danilo...
-Aquele da cabeça grande? -Olha, eu sei que eu estudo aqui a muito tempo e que eu deveria no mínimo saber o nome dos amigos dos meus amigos mas bom, como deu para perceber eu não sei então eu acho que eu sou o nível mais alto de anti-social que existe porque eu só conheço a minha irmã porque é minha irmã, o Mika porque ele teve a sorte de ser filho da amiga da minha mãe e acabar o meu amigo também, o Guilherme porque quero pegar o irmão dele e o Nicolas que eu ainda não entendi como ficamos amigos. É, um grupo de pessoas bem maior que eu imaginei.
-É. Então, naquela festa do Danilo que você não quis ir porque queria assistir aquelas reprises de Keep Up With The Kardashians as coisas aconteceram mas ai eu achei que não ia dar em nada mas tudo acabou nesse rolo que eu achei melhor não te contar e agora a gente tá brigado por causa disso.
-Minha irmã foi nessa festa...-Encarei a minha carteira. -...não foi?
-É...eu acho que foi, sei lá. -Ele ficou olhando para o outro lado.
-Ela conhece a sua namorada?
-Eu não tenho namorada...
-Tá, tanto faz. Conhece?
-A-ham. -Só tenho a impressão de que ele não queria estar me contando isso mas eu não to me importando, só quero saber que é essa bendita menina logo de uma vez.
-Ah...-Acho que tem alguém para me contar as coisas que o Mika não quer contar.
-Então...-Ele fez uma pausa. -...eu...to...sabe? Tipo, desculpado?
-Uhm. -Ele sorriu para mim mas o professor quebrou o barato dele mandando ele virar para a frente...de novo.
MIKA POV
Quando o sinal do recreio bateu eu fiz o máximo para conseguir sair da sala antes da Nane porque eu realmente preciso falar com a minha namorada e bom, eu não posso deixar que a Nane saiba que o tal rolo já não é exatamente um rolo porque ela vai ficar puta comigo.
-Oi, amor. -Ela veio correndo na minha direção olhando para os lados, acho que também verificando se a
Nane estava por perto.
-Oi.
-Você tá bem?
-Quando eu vou poder falar para ela?
-Eu já te falei sobre isso, ainda não dá.
-Mas ela é minha amiga e ela tinha razão quando disse aquilo de amigos lá e eu não quero mais ficar
escondendo isso dela.
-Você sabe porque eu ainda não posso contar que to namorando para ninguém.
-Então resolve isso.
-Eu já disse que eu vou, calma.
-Tá, rápido.
-Rápido. -Ela me deu um beijo rápido e saiu.
-Te amo.
-Te amo também. -Ela olhou para os lados de novo e saiu correndo do mesmo jeito que veio. Ela corre de
um jeito engraçado.
-Tá rindo do que?
-Porra, Nane, que susto!
-O que você tava fazendo de errado para se assustar tanto assim?
-Eu tava te procurando, você não veio junto comigo quando bateu o sinal.
-Também, você saiu como se não quisesse que eu conseguisse te acompanhar.
-Olha, você já tá ficando paranoica, Nane, você tem que parar de achar que...
-Eu não sou importante para você?
-É.
-Bom, as vezes é o que parece.
-É o que você acha mas não quer dizer que é verdade.
-Certo, mas o que tem de engraçado em me procurar?
-Aquelas meninas correm igual...umas gazelas. -Eu tava falando de uma menina só mas ela não precisa saber disso.
-E os moleques correm igual viados.
-Se ofendeu, foi?
-Eu só queria poder te chamar de viado.
-O animal é veado, não viado.
-Tanto faz, você é os dois.
-Você é insuportável.
-Olha minha cara de preocupação. -Ai ela fez uma cara de bunda misturada com cara de peixe morto...mentira, é só a cara dela mesmo.
-Tanto faz. -E o resto do recreio foi ela me fazendo comprar o lanche para ela, ela correndo para longe de mim e fingindo que não me conhece por causa que "O Rafa é ciumento, o Rafa é isso e o Rafa aquilo..." e ela fazendo drama por eu não ter contado sobre minha vida amorosa para ela.
NANE POV
-Anne! -Cheguei correndo no quarto da minha irmã cortando a vibe dela que tava toda felizinha no computador.
-QUE SUSTO, LILIANE! -Ela deu um pulo na cama em frente ao computador.
-Eu já ouvi isso hoje...aliás, foi o Mika que falou e é sobre ele que eu vim falar.
-O...Mika?
-É, o Mika.
-Ah, tá.
-Ele disse que você conhece a namorada...ficante, sei lá o que, dele.
-Ele disse que eles namoram?
-Na verdade ele disse que é um rolo, que ele não tem namorada e que não me contou antes porque não sabia se ia dar certo e um monte de coisa e também disse que você conhece ela então...
-Ah...
-Vai, me conta. Quem é?
-Quando você precisa de alguma coisa vem falar comigo, né?
-Ah, pelo amor de Deus, Anne, nem vem com essa agora.
-Se o Mika não quer te contar então não vou ser eu que vou contar, né? Ele deve ter um motivo.
-Da para agir como uma irmã uma vez e me contar logo?
-Quando você se importar mais comigo do que ser só a sua informante quem sabe eu comece a "agir como a sua irmã", agora sai do meu quarto.
-É POR ISSO QUE EU TE ODEIO! QUE SACO! SE EU PUDESSE ESCOLHER UMA IRMÃ NÃO SERIA VOCÊ!
-QUANDO EU FUI ESCOLHER A IRMÃ QUE O PAI E A MÃE IAM ADOTAR NÃO SEI PORQUE EU ESCOLHI VOCÊ, PIOR COISA!
-Do que você tá falando? CALA ESSA BOCA!
-VOCÊS DUAS! -Minha mãe chegou no quarto. -Você...-Ela apontou para a Anne. -...não quero você repetindo isso para a sua irmã nunca mais, você tá ouvindo? Nunca mais e você tá de castigo por tempo indeterminado pode ir desligando o computador e o celular e me entregando e você Liliane, nunca mais é para falar que odeia a sua irmã, entendeu? Quando o pai de vocês chegar a gente vai ter uma conversa séria, e agora vamos. -Ela me puxou pelo braço até o lado de fora.
-Porque ela falou de eu ser adotada?
-Ela não pensa antes de falar, filha, não escute o que ela diz, é só bobagem.
-Ela sempre diz isso e você sempre diz isso, da onde ela tira essas coisas?
-Eu não sei, Liliane, eu não sei. Não quero mais você indo lá provocar a sua irmã, se não eu vou aumentar o seu castigo.
-Eu só fui perguntar se ela sabe quem é a namorada do Mika e ela fez um escândalo.
-O Mika tá namorando?
-Sei lá, ele também não me conta mais nada. Eu não tenho a mesma importância que as pessoas tem para mim.
-Para de bobagem e vai treinar o violão porque eu ainda não vi você fazendo isso.
-Mãe...
-Vai!
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH...
-Sem reclamar. -E sai batendo o pé de volta para o meu quarto enquanto a minha irmã passava por mim me fuzilando com os olhos carregando o celular e o computador na direção para onde a minha mãe tinha ido e depois eu escutei ela batendo a porta do quarto enquanto eu tentava abrir o zíper daquela bolsa, sei lá que merda que é aquela, que colocam os violões dentro, sabe? E a campainha não parava de tocar atrapalhando a minha concentração para conseguir realizar tal feito.
-MÃE, A PORTA! -Eu gritei esperando que ela fosse abrir a porta mas só continuaram tocando a campainha e menos de dez segundos o interfone tocou.
-ATENDE PARA MIM, NANE, EU VOU ATENDER O INTERFONE! -Ela gritou de volta e eu sai batendo o pé em direção a porta. Abri e encontrei o estranho do pretendente da minha
irmã lá. -Que? -Olhei com cara de bunda para ela.
-Olha, falando sério, cara, toda vez que eu venho aqui é assim, você já sabe que é só chamar a sua irmã.
-Olha, toda vez eu me pergunto quem é o imbecil que te deixa entrar.
-Sou eu. -Minha mãe apareceu atrás da gente. -Eu avisei para o porteiro que o Breno pode entrar. -Olhei para o tal Breno que tava segurando a risada.
-Então, mãe, ai o seu amiguinho.
-Chama a Anne, Nane. -Isso fez o moleque ali na porta voltar a dar aquele risinho.
-ANNE, TEM GENTE NA PORTA.
-Não era para gritar, Nane, se não eu mesma gritava.
-Então porque não gritou?
-Não liga para ela, Breno.
-Tá. -A gente olhou feio um para o outro.
-E você...-Ela tava falando comigo enquanto eu ainda encarava o menino. -...o síndico interfonou para mandar a gente para com tanto barulho então sem gritos.
-Eu vou interfonar mandando ele tomar no cu. -Rolei os olhos.
-Seu castigo aumentou. -Minha mãe me olhou feio.
-Mas mãe...
-Mas nada. Um mês a mais. -Ela cruzou os braços.
-Ah, não, fala sério. -Olhei com cara de suplica para ela.
-Eu to falando muito sério. -Ela riu de um jeito falso, isso deve ser de família.
-Porque não vai treinar o seu violão? Fiquei sabendo que você tá precisando. -Ai moleque maldito.
-Porque vai cuidar da sua vida? Fiquei sabendo que você tá precisando. -Voltei a encarar ele com a cara mais feia que eu consegui. Se ele não parar eu juro que vou dar com esse violão na cara dele.
-Para de agir feito criança, Liliane, você tinha mesmo que estar treinando violão então vai e aproveita e chama a sua irmã. -As vezes dá vontade de jogar essa máquina de costura da minha mãe na cara dela mas eu amo demais ela para poder fazer isso, além do mais ia quebrar a pobre máquina de costura que ela precisa para trabalhar então...
-Se eu conseguisse abrir essa coisa eu iria...-Forcei o zíper para não adiantou nada e ai o violão foi tomado da minha mão...preciso dizer por quem? Olhei feio para ele, só para variar um pouco. Quando foi que ele ficou tão chato e metido assim?
-Pronto! -Ele abriu um sorriso falso e eu apenas peguei o meu violão não utilizado e sai batendo os pés.
-Chama a Anne. -Minha mãe falou mas eu não chamei a Anne, eu não quero saber da Anne e ela e aquele nojento lá na porta se merecem.
Depois disso eu ouvi minha mãe obrigando a Anne ir atender a porta e uns gritos dela expulsando o idiota daqui porque para alguma coisa ela tem que servir, a porta batendo, o interfone tocando e para acabar alguma coisa quebrando. Ah, não, eu preciso ver essa treta.
-Você e sua irmã hoje estão terríveis, hein? -Ela olhou negativamente para os vários pedacinhos da capa do meu pobre cdzinho espalhados pelo chão. -Aproveitando que as duas estão aqui, o castigo das duas aumentou e vai durar até o dia em que vocês aprenderem a ser educadas. Eu dei educação para as duas mas vocês não sabem usar, esse é o problema então para os seus quartos agora. -Ela lembrou do dia da minha bela conversa com o professor de biologia, ai que lindo. -Só quero ouvir o barulho de você tocando violão, Liliane. Agora vão.
-Meu castigo aumentou porque a Anne...
-Não vem por a culpa em mim. -A Anne atrapalhou.
-A Anne foi muito mal educada com o menino e você também, estão as duas de castigo. -Minha mãe tá muito brava, puta que pariu, e alguém atende a porra do interfone?
-Posso ir pegar o caderno do Mika para pegar a matéria que eu preciso? -Só quero poder me livrar do meu castigo um pouco.
-Depois do violão.
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH...
-Sem reclamar. -Nisso minha irmã já tinha saído batendo os pés para o quarto dela enquanto eu estava encarando o pobre cd abandonado no chão com os vários pedacinhos da sua capinha espalhados pelo chão da sala. Peguei do chão e dei uma olhada. Ela não quebrou ele, só tá com uns arranhões, talvez ainda funcione.
-Posso ficar com ele? -Ergui o cd.
-Você sempre fica com eles. -Minha mãe deu de ombros e então eu sai em direção ao meu quarto e fiquei por uma hora e meia tentando tocar violão mas como da primeira vez eu já estou quase desistindo porque eu não consigo aprender, é muito difícil para mim mas acho que eu vou acabar aprendendo porque tenho muito tempo livre já porque vou passar a vida toda de castigo.
Eu sei que esse capítulo ficou muito grande mas é que eu não quero que dê muitos capítulos igual a minha primeira história então é por isso que a idéia é que eu poste capítulos grandes como esse. O que vocês acharam? Gostaram? Beijos, Isa.
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